Colunistas|”Recebemos o melhor do outro quando damos o melhor de nós”, por Odenice Figueiredo

Compartilhe:

Por: Odenice Figueiredo

Um dia desses, estava lendo o livro de Daniel C. Luz – Reflexões para uma Vida Nova, um autor excepcional, pois captura a essência dos acontecimentos. Entre os seus diversos textos encontrei a história de Helen Keller escritora, ativista social e palestrante americana. Para quem não conhece sua história vou contá-la brevemente. Helen nasceu uma criança normal, sem qualquer diagnóstico de deficiência física, porém quando tinha aproximadamente um ano e sete meses de idade foi acometida de uma febre, que a deixou entre a vida e a morte. Quando a enfermidade melhorou foi diagnosticada com a perda da capacidade de enxergar, ouvir e falar. Os especialistas da época declararam que ela estava condenada a uma vida de silêncio e escuridão.

Privada dos seus estímulos sensoriais, teve dificuldades emocionais significativas, como ansiedade, isolamento e como a interação com o mundo exterior era limitada, por vezes tinha crises de agressividade. Seus pais preocupados, procuraram ajuda e bons conselhos, dentre eles o conselho de Alexander Graham Bell, assim um ano depois nossa promissora Helen Keller aos 13 anos de idade começava suas aulas com Anne Mansfield Sullivan. Mas quem era a Srta. Anne Sullivan?

Peço desculpas, meus caros leitores, mas aqui novamente contarei a história de Anne resumidamente, até mesmo porque a vida e obra de Johanna Mansfield Sullivan, seu nome de registro, seria tema para um livro biográfico.

Aos olhos de todos, nos idos do século XIX não havia esperança para a pequena Anne, havia nascido em um lar de extrema pobreza, sofreu abuso físico por parte de seu pai alcoólatra e quando estava com cinco anos ela contraiu tracoma que a levou a quase cegueira, aos sete anos sua mãe faleceu, seu pai a abandonou em uma instituição de saúde mental. Pois, devido aos acontecimentos com Anne, o abuso, estar quase cega, ser privada de alimentação adequada, carinho, amor e atenção Anne estava em um grande desequilíbrio mental e emocional, na época os médicos acreditavam que o melhor lugar para “os loucos, sem cura” era o quarto escuro. Assim, em um cubículo escuro condenaram Anne a morte, mesmo estando viva.

Mas eu acredito que Deus tem um propósito para cada vida existente na terra, uma enfermeira se compadeceu de Anne este ser tão pequeno que agia como um animal e que atacava a todos com violência, quando se aproximavam de seu pequeno espaço. Este ser de luz começou aos poucos se aproximando de Anne, com amor, carinho, cuidado, atenção, respeito e com o tempo os médicos observaram que ocorria uma mudança, vendo que Anne aprendia e evoluía.

Anne se recuperou de seus traumas de sua dor interna e teve alta da instituição, porém como não tinha para onde ir, propôs ficar e ajudar com outros pacientes, assim poderia também estudar. Ela se formou como educadora, mas só ficou muito conhecida por ter sido a professora de Helen Keller, uma adolescente surda-cega-muda a quem ensinou por meio da Língua de Sinais por intermédio do tato. Helen aprendeu a ler e a escrever em Braille e com as lições de fonéticas aprendeu a falar, aprendeu inglês, francês e alemão.

Helen foi reconhecida mundialmente pelos seus feitos e ao receber uma homenagem pelas mãos da Rainha Victória da Inglaterra, quando está lhe perguntou: Helen Keller como você explica suas notáveis conquistas, tendo sido diagnosticada como cega, surda e muda? Sem pensar, Helen respondeu: Se não fosse pela pequena Anne Sullivan, o nome Helen Keller seria desconhecido.

Assim, quando a vida inspira, temos uma sequência de dádivas, a enfermeira é “um alguém” infelizmente não sabemos o seu nome, mas ela não é menos importante, pois inspirou e dedicou-se a pequena Anne, está por sua vez inspirou e dedicou-se a Helen, que por sua vez defendeu diversas causas humanitárias.

Acredito que o escritor Daniel quando nos conta a vida de Helen e de Anne em seu livro, deixando no final do texto a seguinte frase: “Você obtém o melhor dos outros quando dá o melhor de si”. Penso que ele queira nos falar que onde estivermos, seja qual for nossa profissão, nossa condição financeira ou social, quando nos encontramos diante de outro ser humano temos que dar o melhor que há em nós, um olhar de amor e caridade ou uma palavra que eleve e conforte, enfim uma atenção genuína. Lembrando que isso deve estar em todos os lugares hospitais, casas de repouso, escolas, repartições públicas e entre outros, até mesmo quando paramos em um semáforo e alguém lhe pedir uma moeda, olhe nos olhos daquele ser humano o comprimente, a maioria deles fica grato apenas pelo cumprimento e a atenção. Experimente faça um teste.

Vou relatar aqui uma experiência minha, que ocorreu a alguns dias atrás.

Estive recentemente em uma instituição de saúde mental, fui fazer um trabalho com Arte Terapia na ala feminina, como tive a orientação sobre a vestimenta que deveria ser algo simples e confortável, saliento aqui concordar com as orientações recebidas, pois temos que ter sororidade com as mulheres que ali estão. Mesmo assim, resolvi apenas fazer uma escova nos cabelos, para mostrar que eu queria estar ali, que eu me preparei para estar com elas, confesso também que pensei que ninguém perceberia um simples escova. Mas qual foi a minha surpresa?

Uma das mulheres me perguntou se eu havia feito escova no cabelo para ir lá. A princípio fiquei em silêncio e confesso muito sem graça, mas disse que sim. Surpreendentemente ela me disse: “Você fez escova em seus cabelos para vir aqui ver agente?” Eu apenas sinalizei com a cabeça que sim.  Ela então repetiu: “Só para ver a gente aqui?” E continuou falando “Nossa até me sinto importante”. Neste momento eu quebrei por dentro em pensamentos e respondi que todas eram importantes para mim, fiz isso para que vocês pudessem ter o melhor de mim em todos os aspectos”. Nos abraçamos e ela me disse que eu era linda e gente boa. Naquele momento eu estava recebendo o melhor dela, simplesmente porque também dei o melhor de mim.

Quero apenas deixar uma reflexão, será que em nosso dia a dia, em nossos afazeres estamos dando o melhor de nós? Será que estamos inspirando outros seres humanos, assim como a enfermeira, Anne e Helen foram inspiradas a dar sempre o melhor de si?

“A ciência poderá ter encontrado a cura para a maioria dos males, mas não achou ainda remédio para o pior de todos eles: a apatia dos seres humanos.” – Helen Keller

Foto Anne e Helen em suas aulas de Braille pelo tato.

Odenice Figueiredo

Contato: Odenice.figueiredo@hotmail.com

Mini-bio:

Formação em Contabilidade e Matemática; Mestre em Contabilidade

Terapeuta com Formação em Logoterapia – Um sentido para a Vida

Pós-Graduada em Psicologia Positiva e Autorrealização – PUCRS

Estudante de Psicologia – 4 Termo – Universidade Católica

Proprietária do Canal: https://www.youtube.com/c/EspiritualidadeBemEstar

Apresentadora – Quadro Mente Consciente – Programa de Corpo e Alma com a Rosana Germano – TVMais – Marília-SP

Outras Notícias

Domínio Global Consultoria Web